Uma nova saga!!!

Uma nova saga!!!
LIVRO: O Ultimo Calice

Capitulo I – O suicídio.

Estava chovendo muito forte, mesmo assim havia uma multidão tentando saber o que estava acontecendo. A cena não era das mais convencionais,tratava-se de um suicídio na porta da pequena igreja de São Tiago. Os legistas tiravam fotos enquanto a policia tentava conter a multidão.

- Que saco! – esbraveja o jovem detetive Gugams – em pleno sábado chovendo pacas, esse cara resolve pular da torre do sino?
- Será que não tem um dia só que você não reclame da vida? – responde em tom de sarcasmo Emiliano seu amigo e parceiro.

Gugams e Emiliano eram dois jovens, porém promissores detetives, estão juntos na policia desde o curso de formação, se conhecem bem e confiam plenamente um no outro.

- Gugams! – chama a legista Shaiya - veja o que eu achei!

Gugams com seu andar peculiar, caminha em direção a Shaiya e pega um pequeno pedaço de papel que ela tinha encontrado no bolso do suicida, o papel esta borrado e de difícil compreensão, mas ele curioso como sempre, pede para Shaiya levar para o laboratório e descobrir o que está escrito.

- Muito estranho! – Afirma Emiliano – Um suicida em uma igreja? Já descobriram quem é ele?
- que nada! Ele não tinha documentos em seus bolsos, a única coisa que encontramos foi um pedaço de papel borrado pela chuva, já pedi para examinar.
- Neste angu tem caroço! – Emiliano fala em tom de deboche.
- Vai começar? Tudo para você tem mais do que parece! Vamos embora, o rabecão já chegou e vai levar o presunto para a IML.

No dia seguinte, com uma dor de cabeça imensa, o que é típico na vida de Gugams, ele recebe um telefonema em sua casa, era a sua noiva, Runasverdes, uma jovem estudante de arquitetura e urbanismo.

- Oi amor, como você esta? Gripado? – risos.
- Você não perde uma chance né? Ontem a noite foi uma muito ocorrência chata! Um zé Mane que nem aparenta ser da cidade suicidou-se lá na 'igrejinha'.
- É... Fiquei sabendo, não se fala de outra coisa na cidade...
- Um momentinho amor, tem outra pessoa na linha... Alô?
- Sou eu seu dorminhoco o Emiliano! Vem para a delegacia agora tenho novidades.
- Ok... – Amor; tenho que desligar vou ter que sair.


Na delegacia.

- Oi florzinha? Ta gripadinho? – Emiliano debocha.
- Cara tu não me enche o raio do saco não que eu estou uma 'pilha', que novidade é essa que você tem? Tem que ser boa se não...
- se não o que? Vai me bater? – risos - Cara é serio mesmo, senta ai, - Gugams puxa a cadeira bruscamente - Sabe aquele pedaço de papel que você mandou examinar ontem a noite do presunto suicida?
- Sei? Mas e daí? O que estava escrito? Os números da próxima mega-sena? –
Responde com ironia.
- Era uma espécie de bilhete que dizia: “Frei Bento, eu sei de tudo e você será o próximo!”.
- Quem é esse tal de Frei Bento? – pergunta Gugams um pouco temeroso.
- Já mandei pesquisar, é um novo frade que esta na cidade, ele esta morando na casa paroquial, junto com o padre Laputean.
- Muito estranho isso, porque um suicida deixaria um bilhete como esse? Há não ser que ele não seja suicida! – conclui gugams.
- Pode ser... Alguém queria dar um aviso e deu! - Completa Emiliano.
- Já mandou investigarem as digitais do “suicida”?
- Já! Não lhe disse? Neste angu tem caroço, nós precisamos fazer uma visitinha para esse tal de Frei Bento agora!

No caminho da casa paroquial o silencio reinava absoluto no carro, Gugams e Emiliano estavam pensativos, eles sabiam que alguma coisa estava errada, havia algo de estranho naquele suposto suicídio.

Capitulo II - O Frei

De longe eles avistaram a casa paroquial, logo ao lado da igreja, era uma casa simples, sem luxo, porém muito bela, eles avistaram o simpático padre Laputean cuidando do jardim, sua face era serena e alegre.

- Bom dia padre! - Disse de forma saudosa Emiliano
- Que a paz esteja convosco meus filhos... O que vos trazem a minha humilde casa?
- Frei Bento. – Responde Gugams forma direta e fria, olhando nos olhos do padre Laputean.


O padre Laputean desvia seus olhos da face de Gugams e abaixa-se em direção as suas roseiras e continua a cuidar de suas flores, ele pega uma tesoura e corta uma rosa, levanta-se e entrega nas mãos de Emiliano.

Gugams não tira os olhos do padre, ele era jovem, porém tinha uma leitura quase perfeita do comportamento humano. Gugams pergunta:

- Temos noticia que você tem novo hospede na sua casa, é verdade?
- Sim eu tenho! É um jovem Frade, o Frei bento, mas porque a curiosidade? Você nunca veio a uma missa sequer?
- Queremos falar com ele sobre o suicídio de ontem à noite – responde Emiliano e completa após uma pausa – Padre, de onde ele veio?

Padre Laputean vira-se para a cruz no alto do sino da igreja e faz o sinal da cruz em respeito aos recentes acontecimentos, quando ele iria falar um pouco mais sobre o jovem frade, ele surge na entrada da casa. Ele estava com as roupas simples de um franciscano, sua face era branda seu caminhar era lento, era como se ele admira-se o mundo a cada passo que ele dava.

- Padre Laputean, sua benção – ele beija a mão do Padre – Escutei meu nome, o senhor precisa de mim?
- Eu não meu filho, mas esses cavalheiros precisam...
- Bom dia Frei. – cumprimenta Emiliano.
- Padre, podemos conversar a sós com o frei um minuto? – pergunta Gugams.
- Estarei lá dentro, se precisarem de mim é só chamar...


Gugams e Emiliano estavam frente a frente com o Frei, o clima estava tenso, porém a face de Bento continuava serena.

- Como posso ajudar vocês? – pergunta o solícito Frei.
- O que você sabe sobre o suicídio de ontem à noite? – Gugams foi direto ao ponto.

Frei Bento abaixou a cabeça, fez o sinal da cruz, e disse sem medo.

- O que um Frei saberia sobre um suicídio? Sequer conhecia a pessoa, não sou daqui.
- Você é de Onde? – Pergunta Emiliano
- A questão não é de onde eu sou, mas de quem eu sou, eu sou dos pobres, dos fracos, dos humildes de coração...
- Olha aqui Frei – interrompe gugams bruscamente – não estou a fim de saber sobre suas filosofias não...

Antes de gugams terminar o celular do Emiliano toca, era a Shaiya.

- Alô!
- Emiliano volta para a delegacia agora, tenho novidades sobre o presunto suicida!
- Ok! Já estamos indo!
- Quem era? - Pergunta Gugams
- A Shaiya, precisamos voltar agora, novidades sobre o suicida, parece que é urgente ela esta afoita no telefone.

Gugams, sem muita cerimônia, dispensa o Frei, mas disse que iria voltar. Ele não estava satisfeito, foi embora com uma única certeza: Não era o ultima vez que ele veria o Frei Bento...


Capitulo III a Impressão Digital.

No caminho de volta Gugams parecia mais agitado do que o normal, ele não ficava quieto no banco do carona, ele coçava a cabeça, olhava para fora, ajeitava aqui e ali, Emiliano só olhava sem dizer uma palavra. Até que Gugams rompe o silencio:

- “Tem angu neste caroço” – disse nervoso.

Emiliano olha para ele e fala sorrindo...

- A maneira correta de dizer é: “neste angu tem caroço” – risos – cara, fica calmo você está uma pilha!
- Pois é, mas eu to sentindo encrenca vindo por ai, além do mais, aquele frei, ta 'devendo na praça', tenho certeza!
- Para com isso Gugams! Para você todo mundo deve! Relaxa, vamos ver o que a Shaiya tem para dizer e continuar a investigação...

Gugams e Emiliano chegam a Delegacia e vão direto para a sala da Shaiya.

- E ai? - Pergunta Gugams afoito
- Tenho novidades! Primeiro, ele não se suicidou, – depois de um breve silencio, ela continua – ele foi envenenado e consequentemente jogado do alto da torre. E tem mais! As impressões digitais afirmam que ele é um foragido da policia. Seu nome é: Hugo Luna.
- Hugo Luna? Foragido por quê? Qual foi seu crime? – Pergunta Emiliano
- Ele parece ser peixe pequeno, tem passagens por furtos e estelionato, nada mais...
- Estranho... Porque um camarada desses vem para cá é assassinado e jogado do alto de uma igreja para simular um suicídio? Neste “caroço tem angu” - Completa Gugams.
- Isso já é com vocês, minha parte eu fiz! – acrescenta Shaiya – ah é! Já ia me esquecendo, o Chefe quer falar com vocês!
- Lá vem bronca! – Emiliano completa sorrindo


O Delegado Makoto era muito severo, não admitia erros na sua delegacia, ele era o terror da Delegacia, porém era um homem de boa índole e amante convicto da boa investigação.

- Pode entrar. – Responde Makoto com a voz firme.

Gugams e Emiliano entram.

- Mandou chamar chefe?
- Mandei sim Emiliano. Vocês dois podem se sentar, por favor.

Enquanto eles se ajeitam na cadeira Makoto abre uma de suas gavetas e tira uma caixa de charutos cubanos e acende um. Da uma baforada e pergunta:

- Porque vocês estão tão preocupados com um suicida?
- Ele não é um suicida, chefe! Ele foi assassinado! A Shaiya não lhe disse? – indaga Emiliano.
- Suicida ou não, eu quero que uma coisa fique bem clara aqui! Eu não quero dois dos meus melhores homens investigando um caso que não vai dar em nada!
- Mas chefe...
- Sem mais! Ta decidido! Vocês podem se retirar agora!

O Delegado Makoto não deu nenhuma chance de argumentação, no entanto ele só conseguiu aguçar ainda mais a curiosidade dos jovens detetives, eles agora estavam obstinados a descobrir o que estava por detrás da morte de Hugo Luna.

- Eu nunca vi o Makoto daquela forma, ele parecia transtornado. –disse Emiliano.
- Transtornado? Ele estava é muito diferente isso sim! Ora bolas, se ele sabe que é um assassinato porque não podemos investigar?
- Pois é... Mas e ai? Ta pensando a mesma coisa do que eu? – Emiliano pergunta com um sorriso largo no rosto.
- Sim! Vamos continuar investigando na surdina, faz assim, liga para a Shaiya e pede para ela procurar um pouco mais sobre esse tal de Hugo Luna.
- Ok! Enquanto isso vamos à casa paroquial, eu quero ter uma conversinha com o frei Bento.


Na casa paroquial.

- Diga meu filho, o que aqueles homens queriam com você? – pergunta o padre Laputean
- Eles me perguntaram sobre o suicídio. Eu disse que nada sabia. Padre, eu tenho que sair, eu vou à rodoviária.
- Rodoviária? Quem vai chegar? Meu primo, John Lucas o senhor esqueceu que eu lhe avisei?
- Pois sim meu filho, eu já estou ficando esquecido – risos.

Pouco tempo depois de o Frei bento sair da casa, Gugams e Emiliano chegam à casa do Padre.

- Bom dia Padre! –cumprimenta Emiliano!
- Que Deus te abençoe meu filho!
- Padre onde esta o Frei? –pergunta gugams afoito.
- Ele foi à rodoviária ainda a pouco, mas acredito que ele não vai demorar. Vocês aceitam um café?
- Se não for muito incomodo.

Enquanto o Padre Laputean preparava o café a campainha da casa toca.

- Atenda para mim meu filho! –grita o padre.
- Ok – respondeu Emiliano. Pois não?
- Oi tudo bem? Meu nome é Pandora, o Frei bento esta?
- Frei Bento? – pergunta o curioso Emiliano.
- Sim! Ele esta?

Antes de ele responder o Padre interrompe e diz:

- O frei Bento não está volte depois! – Padre Laputean responde de uma forma rude que não lhe era peculiar.

Emiliano e Gugams trocaram olhares entre si, mas permaneceram em silencio. O telefone de Emiliano toca. Era a shaiya.

- Tenho novidades! -diz Shaiya.
- Quais?
- O Hugo Luna tinha alugado uma casa na cidade, anota o endereço ai e zarpa para lá!

Sem demora ele avisa o Gugams e vão para o endereço fornecido pela Shaiya.


Capitulo IV – A Casa.

O endereço fornecido pela Shaiya era em um bairro pobre e muito marginalizado. Gugams e Emiliano tiveram dificuldade em achar a casa do 'suicida'.

- Pô esse cara não morava, escondia! –Gugams diz em tom de deboche.
- Você vive reclamando! Ali – aponta com o dedo – a casa dele é aquela com a fachada amarela!

Eles então param em frente a casa e com as armas em punho resolvem pular o muro. Não era a primeira vez que eles faziam isto, cuidadosamente e um de cada vez, eles saltaram pelo muro e em total silencio começaram a investigar a casa.

- Parece que não tem ninguém aqui. – conclui Emiliano.
- É – Gugams concorda com um certo ar de desapontamento e completa- Vamos invadir e investigar lá dentro.
- Não temos mandado, mas e daí?– risos - debocha Emiliano

Gugams arromba a velha porta de madeira com um chute e com uma lanterna começa explorar o local juntamente com o Emiliano, começam a revirar tudo que eles encontravam pela frente, até que:

- Gugams corre aqui!
- Fala! Nossa! – Gugams Olha abismado para o Emiliano

Emiliano tinha encontrado uma mala com vários artigos religiosos, alguns deles aparentavam ser bem antigos e com certo valor histórico e monetário. Eles ficaram boquiabertos com a descoberta.

- Cara quanta coisa! – Gugams diz estupefato
- Olha só o que eu achei também! –Emiliano fala entusiasmado olhando para um envelope.
- Abri logo cara! -Diz o afoito Gugams


Emiliano após revirar a mala tinha encontrado um envelope pardo, cuidadosamente ele o abre e encontra o seguinte bilhete: “Ligar para Thiago P. fone 555 4312”.

- Bingo! Gugams diz eufórico!
- Bingo? Cara você esqueceu? Não temos mandado de busca e apreensão e sequer temos autorização para investigar esse caso! Você esqueceu o que o delegado Makoto disse?

Silêncio na sala.

- Não vou deixar esses “contratempos” me impedirem de continuar a investigação! Pô Emiliano! Começamos juntos, terminamos juntos! Você está comigo?

Emiliano abaixa a cabeça, coloca a sua arma na cintura e começa a andar em direção da porta...

- Emiliano você vai me deixar na mão? O caso é grande eu sinto! Vamos cara! Me dê uma chance! Contra tudo e todos lembra do nosso lema?
- Gugams, – pausa longa – Isso pode feder e ferrar com as nossas carreiras o Delegado Makoto vai nos ferrar se ele descobrir!
- Mas você nunca ligou para nada disso! Vai ligar agora?
- Que saber? Começamos juntos, terminamos juntos! Vamos investigar quem é esse tal de Thiago P!
- Eu sabia! – risos – estou tão feliz que eu vou te dar um ingresso para você ver o timão na segundona. -Gugams completa com ar de deboche.
- Cara não enche o saco não que eu volto atrás! Vamos embora, vamos levar essa mala para a Shaiya e ver o que ela descobre para a gente.
- Mas não podemos levar essa mala para a delegacia, já sei! Vamos levar para o apartamento da Runas.
- OK, vamos embora, no caminho eu telefono para a Shaiya.


Capitulo V – A chegada.

Frei bento sentando no terminal rodoviário esperando o John Lucas, até que ele desce de um ônibus lotado. De longe John Lucas avista o Frei Bento. John Lucas não estava só, trazia com ele um jovem historiador.

- A benção Frei! –cumprimenta John Lucas.
- Deus te abençoe meu filho!
- Frei esse é o Oliver, ele é o especialista em artes que eu tinha comentado com o senhor.
- Que bom! Vamos embora, não podemos conversar aqui, vamos para a casa do Padre Laputean.

Na casa de Runasverdes.

Gugams e Emiliano chegam ao Ap da Runasverdes, a Shaiya já os esperava curiosa para saber o que estava acontecendo.

- E ai meninos? -Cumprimenta a Runasverdes.
- O que tem dentro da mala? -Shaiya pergunta afoita.
- Veja você mesmo! – Responde Emiliano.

Shaiya cuidadosamente abre a mala, foi visível seu ar de espanto ao ver tantas obras sacras, ela não encontrava palavras para descrever sua admiração.

- Mas como pode? Isso daqui deve valer uma fortuna incalculável! Estava tudo na casa do Hugo Luna? – Pergunta quase sem respirar


Gugams senta-se, olha para o Emiliano, coloca a mão no queixo e fala quase sussurrando:

- A questão não é essa! A questão é: Porque o Hugo Luna estava com essas peças na sua casa, e será que ele foi assassinado por causa delas?

O questionamento do Gugams foi certeiro. Emiliano pensativo, sentou se ao lado do seu amigo e completa:

- Sabe o que mais me impressiona? Como uma pessoa com passagem pela policia por crimes toscos, pode estar com essa fortuna em obras sacras em casa?

Gugams estava inquieto no sofá, o silencio estava tomando conta da sala, até que o Emiliano completa:

- Você se lembra daquele bilhete que a Shaiya encontrou dentro do bolso do Hugo?
- Eu me lembro – interrompe a Shaiya – Estava escrito que um tal de Frei bento seria o próximo.

Assim que a Shaiya termina sua frase Gugams levanta se anda de um lado para o outro e diz:

- O que esse bilhete realmente quer dizer? –indaga com certo estress na voz.
- E se o Frei Bento estiver correndo perigo? –retruca Emiliano.
- O Padre Laputean disse que ele foi para a rodoviária temos que voltar para a casa paroquial agora! –conclui Gugams.
- Shaiya, descubra tudo o que puder sobre esses artigos religiosos e nos telefone. – fala Emiliano com pressa e já de saída.
- Runas ajude a shaiya com a pesquisa, precisamos ir. –completa Gugams já fechando a porta.


Capitulo VI Um terço na mão

Na casa paroquial a campainha toca.

- 'Mio dio' – exclama o padre Laputean – Não tenho sequer um minuto de paz nesta casa!

Ele lentamente vai em direção a porta e antes de abrir pergunta:

- Quem é? –Pergunta receoso.
- Eu gostaria de falar com o Frei bento, eu estive aqui mais cedo e...
- Um momento – responde já sem paciência.

Ele abre a porta lentamente, o barulho da porta rangendo era nítido, quando a porta estava quase aberta ele vê o rosto da sua visita, quando ele percebe quem é, fica desesperado e tenta fechar a porta, mas não consegue porque a pessoa já se colocava entre ele e a porta.

- O que você quer? – pergunta ele temeroso olhando no olho de sua indesejada visita!
- O que eu quero? Eu quero sua vida! – responde com um grande tom de sarcasmo.
- O frei Bento não esta aqui!
- Eu sei... É por isso mesmo que eu estou aqui!

O clima na sala era tenso, o vento soprava pela janela trazendo um assobio triste, como se fosse uma ultima sinfonia.

- Eu não sei de nada! – disse o padre Laputean
- Mas, não sabe o que? Eu não lhe fiz nenhuma pergunta!
- Eu sei o que você quer, não esta aqui, não esta com o Frei Bento deixe meu filho em paz!
- Seu filho? Você quer dizer nosso filho!

O silencio foi tremendo na sala, era como se passasse um filme na cabeça do Padre laputean, ele lembrou se de sua mocidade, lembrou se de toda a sua historia até aquele momento, e com lagrimas nos olhos ele lentamente tira um terço de sua batina e aperta nas mãos.

- Esse foi o maior erro da minha vida, nosso filho é um homem de Deus, deixe o em paz! -Laputean fala quase gritando


O silencio foi a resposta da visitante, que lentamente sacou uma arma prateada, era uma 9 mm, o silencio foi interropindo pelo barulho do enrosque do silenciador, a cada volta, um suor escorria da face do padre Laputean..

- Sabe padre? Até hoje eu não sei como você consegue esconder que o frei Bento é seu filho, imagine se ele soubesse que ele foi deixado em um orfanato por um contrabandista?
- Eu nunca fui contrabandista, eu era apenas um colecionador, eu nunca abandonei meu filho! – reponde quase sussurrando o padre Laputean.
- Você o roubou de mim! Roubou a infância dele de mim, você sumiu com ele e me deixou a ver navios! E depois o abandonou em orfanato!
- Se eu não o deixasse naquele orfanato eles o matariam! Até hoje eu me arrependo disso, os anos se passaram, e agora eu dedico a minha vida a Deus.
- A Deus? Sei... Um amante e ex-contrabandista de obra sacra, um padre?É muita conveniência não? Mas isso não importa agora!

Ela lentamente se aproxima do Padre Laputean.

- Pandora não faça isso! – Laputean clama por sua vida

Mas ela não tinha mais nada a perder. Mira e atira uma, duas, três vezes sem perdão. Ele cai no chão, lagrimas escorriam do rosto dele, ela só o olhava em silencio. Sem tempo a perder ela sai da casa, deixando sem vida o corpo do Padre.


Capitulo VII – A fuga

Pandora saiu da casa paroquial com cólera nos olhos, ela tinha um sorriso sinistro na face, um sorriso de 'trabalho feito', ela arruma a arma nas suas costas e não tinha nenhum sinal de remoço no seu comportamento.

Passado alguns minutos Gugams e Emiliano chegam à casa paroquial.

- A porta esta aberta. -observa o Emiliano

Eles olham um para o outro, com certo ar de preocupação, Gugams e Emiliano sacam as suas armas e por comunicação gestual decidem entrar cuidadosamente na casa, Emiliano sorrateiramente abre a porta, e logo vê o corpo do padre Laputean no chão.

- Meu Deus! - Exclama o atônito Emiliano que se abaixa e confirma a morte do padre. Ele levanta a cabeça, olha para o Gugams e completa: - E agora?
- E agora? Quem mataria um padre? Por quê? Onde esta o Frei bento? Ele já chegou da rodoviária?

Emiliano se levanta começa a andar de um lado para o outro, ele não estava acreditando no que seus olhos estavam vendo. A cena realmente era lamentável, um padre assassinado segurando um terço em sua mão. Emiliano não sabia o que fazer.

- Emiliano, pare de nadar de lá para cá! Nós vamos ter que ligar para a delegacia, para que eles posam tomar as devidas providencias!
- Delegacia? E vamos falar o que? Que nós viemos na casa do Padre Laputean confessar? Você nem acredita em Deus Gugams!

Eles não tinham idéia de quem poderia ter feito isso com o padre Laputean, de repente eles escutam um barulho de um carro estacionado em frente à casa paroquial, eles olham pela janela, era o frei Bento mais duas pessoas.

- E agora? Puta que pariu, se eles virem à gente aqui vão pensar que fomos nós que assassinamos o padre. Gugams fala desesperado
- Mas não foi! Temos que explicar tudo para o Frei!
- Explicar? Explicar o que? Que dois homens armados acharam um padre morto a bala? Se toca Emiliano, até a gente explicar tudo a gente vai esta ferrado!
- Pô cara, eu não gosto disso!
- Mas não tem jeito, vamos sair pela porta dos fundos!

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# Posté le jeudi 31 juillet 2008 15:19

Modifié le lundi 25 août 2008 12:50